Precisamos falar sobre consumo consciente

18:41

No final do mês passado aconteceu na Universidade Feevale o Moda Insights, evento que busca trazer para o debate acadêmico temas referentes ao mercado da moda. Na edição desse ano, o tema proposto era o slow fashion, sustentabilidade e consumo consciente; temas que são muito importantes não só pra quem estuda moda mas também para nós consumidores em geral. 

Entre as palestrantes e os cases apresentados (muito bons e fontes de inspiração incríveis) teve um que chamou muito a minha atenção e que me fez ter vontade de trazer o assunto para o blog. Quem me acompanha a mais tempo sabe que nunca fui uma pessoa muito consumista, não só por questão financeira, mas porque fui educada a pensar sempre na necessidade antes de comprar só por comprar (obrigada mãe!). Também sempre tive muito incentivo a usar a criatividade e por isso sempre gostei de criar e customizar tudo, transformando coisas que eu já tinha em coisas novas (sejam elas roupas ou outros objetos). E isso fazia (e ainda faz) muito sentido pra mim.


Mas vamos voltar ao início. Uma das palestrantes na primeira noite do Moda Insights foi a Fernanda Simon, coordenadora brasileira de um movimento global chamado Fashion Revolution (conheçam o site AQUI, é muito legal), que alguns de vocês já devem ter ouvido falar. Resumindo, o objetivo desse movimento é aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto em todas as fases do processo de produção e consumo. Eu já tinha visto alguma coisa desse projeto, mas depois da apresentação da Fernanda eu abri ainda mais meus olhos para o assunto e a importância dele. 

Hoje a gente vive em uma realidade onde marcas lançam coleções novas a cada dois ou três meses, onde vemos blogueiras e influenciadores apoiando, divulgando e incentivando um consumo compulsório de roupas de baixa qualidade e preços sem lógica. Sim, sem lógica, porque não dá pra pensar que uma blusa que custe R$15 não tenha sido feita por mão de obra escrava, ou que o material utilizado não poluiu solo e água. Pode ter certeza que alguém está pagando pelo preço daquela roupa.


Essa é a bandeira levantada pelo Fashion Revolution, que você se pergunte: “Quem fez as minhas roupas?”. Olhe a etiqueta da roupa que você está usando agora, veja onde ela foi feita (não a marca e sim a cadeia de produção por trás dela) e tente imaginar por quantas mãos, por quantas pessoas aquela peça passou até chegar em você. Peças 'importadas' ou com aquele clássico “fabricado na China” na etiqueta são tão comuns pra nós hoje que nem nos importamos. Mas está na hora de repensar isso e ver com outros olhos as marcas que vendem isso. Questione, se informe e reflita que tipo de moda você quer apoiar.

Pra finalizar o post vou deixar abaixo o vídeo Fashion Experience, que foi uma ação feita no centro de São Paulo com a ideia de provocar as pessoas em relação à produção de suas roupas. Impossível ficar indiferente ao tema depois de assistir.


Desculpem se o post ficou muito longo, depois de tanto tempo sem postar acabei me empolgando. Mas como estudante de moda e blogueira não poderia deixar de compartilhar isso com vocês. Não sou contra as grandes marcas, nem contra o mercado de moda em si, mas acredito que muita coisa possa ser melhorada e adaptada às condições do nosso planeta. A moda tem uma força muito grande, nos expressamos através dela e acredito que podemos usar a moda para o bem. 

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4 comentários

  1. Fui pensar na situação dessa forma que você abordou quando conheci uma marca daqui de Brasília que vende roupas feitas à mão, uma coisa linda! Os vestidos (no caso é uma marca de vestidos), tem o preço mais salgadinho, mas como são roupas mais pra festinhas, vale muito à pena, dá pra sentir a qualidade e ver que ninguém nem nada foi agredido durante a produção.

    Peixinhos, Gabbe!
    Blog: Talo de Maçã |Fanpage |Instagram

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  2. Realmente, em meio a toda essa crise, você deveria fazer uma palestra expondo tais pontos em algum Morro Carioca, ou qualquer outra comunidade carente do nosso Brasilsilsil, explicando para as mães de família que elas deveriam investir em peças fabricadas artesanalmente e pagar uns míseros 200 reais a mais na blusinha que elas usam para trabalhar, ao invés de garantir ao menos um pacote de bolacha água e sal para que seu filho não passe fome. Que coisa, gente! Vamos pensar primeiro nos pobres Chineses (ou nos bolsos das "Marcas Elitizadas" quando os produtos são tão merdas quanto os da City Cool - que por acaso, tem fábrica própria e nacional :) ) Saim da caixinha, por favor!

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    1. Olá! Se você pudesse sair da sua "caixinha" (ou pelo menos tivesse lido sobre o assunto) saberia que o problema todo não está só na China. Aqui mesmo no Brasil ainda temos mão de obra escrava (mães de família e crianças) nas grandes confecções e em diversas outras indústrias. Saberia, também, que muitas das marcas elitizadas e grandes redes são as que mais utilizam dessa mão de obra e também não merecem o nosso consumo.
      A questão que eu quis levantar é a da conscientização. Nós temos a escolha de optar ou não por consumir de marcas que ignoram os direitos humanos. Se você se sente bem sabendo que a roupa que você usa é fabricada por pessoas que recebem 20 dólares por mês como salário, isso vai estar na sua consciência. Mas o teu argumento só serve para apoiar essas práticas.
      Sugiro que pesquise mais sobre o assunto, visite o Fashion Revolution, assista os vídeos que eles produzem. Você verá que toda essa movimentação já está fazendo com que as grandes marcas revejam suas seus conceitos e práticas de produção e vai ver que existem sim alternativas para todos os bolsos.
      Um abraço!

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  3. Eu conheço a campanha faz muito tempo e desde lá não mais fiz compras excessivas ou em locais que apresentam trabalho escravo, gostei bastante do post :)
    https://www.youtube.com/c/perolasantiagoblog

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